
Perfil de sabor
★★★★☆ 4,0/5
| Frutado | ■■■■□ |
| Taninos | ■■■□□ |
| Acidez | ■■■□□ |
| Madeira | ■■■□□ |
| Doçura | ■□□□□ |
Casa Ferreirinha Vinha Grande Tinto
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Comentário da Curadoria
Um clássico do Douro moderno, este vinho une tradição e frescor. Do blend de Touriga Franca e Nacional, revela frutas vermelhas frescas, notas florais e toque sutil de especiarias e cacau do estágio em carvalho usado. Corpo generoso, taninos finos e acidez vibrante. Versátil à mesa, acompanha carnes grelhadas e queijos curados.
O Casa Ferreirinha Vinha Grande Tinto é uma das expressões mais emblemáticas da moderna viticultura do Douro, região que reinventou a sua identidade para além do Vinho do Porto. Produzido pela histórica Casa Ferreirinha — nome que homenageia a visionária Dona Antónia Adelaide Ferreira, a ‘Ferreirinha’ que no século XIX transformou o panorama vinícola da região — este tinto representa o ponto de encontro entre a tradição centenária do Douro e a busca contemporânea por elegância e frescor. Vinho de corpo generoso e enorme versatilidade gastronômica, o Vinha Grande é elaborado sob a batuta do enólogo Luís Sottomayor, que lidera a equipa técnica da casa desde os anos 1990, dando continuidade ao legado de Fernando Nicolau de Almeida, criador do mítico Barca-Velha.
As uvas que compõem este blend são oriundas de vinhas localizadas em duas sub-regiões distintas do Douro: o Cima Corgo (incluindo a Quinta do Seixo) e o Douro Superior (incluindo a Quinta da Leda). Esta combinação geográfica é cuidadosamente planeada: as uvas do Douro Superior, de clima mais quente e continental, aportam estrutura, corpo e concentração ao vinho; já as do Cima Corgo, de altitudes mais elevadas e solos de xisto bem drenados, contribuem com elegância, frescor acídulo e fineza aromática. O blend tradicional é composto por Touriga Franca (cerca de 38%), Touriga Nacional (aproximadamente 32%), Tinta Roriz (cerca de 23%) e Tinta Barroca (aproximadamente 7%) — quatro castas tintas indígenas que, juntas, revelam a complexidade e a diversidade do património ampelográfico português.
Na vinificação, as uvas são desengaçadas e suavemente esmagadas antes de seguirem para cubas de aço inoxidável, onde a fermentação alcoólica ocorre a temperatura controlada. Durante este processo, realiza-se uma maceração suave e prolongada, com remontagens cuidadosas para extrair a quantidade ideal de cor, taninos e compostos aromáticos sem excessos. Após a fermentação, o vinho estagia por 12 meses em barricas de carvalho francês de segundo e terceiro uso — uma escolha deliberada que evita a dominância da madeira sobre a fruta, permitindo que as notas primárias das castas se expressem com clareza enquanto o vinho ganha textura, complexidade e estabilidade. O lote final é montado somente após rigorosa seleção de cada lote de barrica, garantindo consistência de estilo safra após safra. O vinho passa apenas por filtração leve antes do engarrafamento, preservando ao máximo a sua integridade.
Na taça, o Casa Ferreirinha Vinha Grande Tinto exibe um rubi profundo de média-alta concentração, com reflexos violáceos que denotam juventude. No nariz, é intenso e franco: frutas vermelhas frescas como framboesa, morango silvestre e cereja dominam o primeiro plano, seguidas por notas de violeta seca, pimenta-preta, ervas aromáticas do mato mediterrânico e um toque sutil de tabaco e cacau, legados do estágio em barrica usada. Em boca, o ataque é volumoso e envolvente, com taninos de grão fino e bem integrados — presentes o suficiente para dar estrutura, mas sem aspereza. A acidez é vibrante e bem doseada, conferindo frescor e equilíbrio ao conjunto, enquanto o final é longo e persistente, com reminiscências de frutas negras e um toque terroso de xisto. É um vinho que bebe muito bem já nos primeiros anos, mas que também pode evoluir positivamente por 3 a 5 anos em garrafa, desenvolvendo notas terciárias de couro, caça e especiarias doces.
Na mesa, o Vinha Grande é um companheiro excecional para pratos de carne vermelha grelhada ou assada — um bom naco de vitela maturada, costeletas de borrego no forno ou mesmo um clássico cozido à portuguesa com enchidos e carnes variadas. Também funciona maravilhosamente com queijos de pasta dura e curada, como um queijo da Serra da Estrela curado, ou com pratos de caça de pena, como perdiz ou faisão assados. É igualmente um vinho de celebração, ótimo para um jantar entre amigos ou para acompanhar uma refeição festiva. Servir entre 16°C e 18°C, decantando por 30 minutos se for de safra recente para arejar os aromas e amaciar ainda mais os taninos.
Casa Ferreirinha
Com mais de 250 anos de história, a Casa Ferreirinha é uma das mais emblemáticas vinícolas do Douro, homenageando Dona Antónia Adelaide Ferreira — a “Ferreirinha” — figura lendária que transformou a região. A casa é pioneira na produção de vinhos do Douro não fortificados e criou o mítico Barca Velha (1952), considerado um ícone dos vinhos portugueses. Seu portfólio de excelência inclui também o Quinta da Leda, que recebeu 96 pontos da Decanter e 94 pontos do Wine Spectator, além de premiações como a Medalha de Platina no BRIT International Award of Excellence in Sustainable Winegrowing (2019).
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