O Papa Figos Branco, produzido pela emblemática Casa Ferreirinha no coração do Douro, é uma expressão vibrante e autêntica da viticultura de altitude portuguesa. Este branco descomplicado mas refinado representa o compromisso da vinícola em revelar o potencial dos terroirs xistosos do Cima Corgo e Douro Superior, onde vinhedos plantados a cerca de 600 metros de altitude se beneficiam da ampla amplitude térmica diária — dias quentes seguidos por noites frias que garantem um amadurecimento lento e gradual das uvas. O resultado é um vinho que captura a pureza frutada e a acidez natural, sem intervenções desnecessárias, ideal para quem busca frescor e bebibilidade sem abrir mão da complexidade.
Proveniente de uma das casas mais históricas de Portugal, a Casa Ferreirinha — que revolucionou a produção de vinhos tranquilos no Douro a partir de 1952 sob a liderança de Fernando Nicolau de Almeida — o Papa Figos Branco é um blend cuidadosamente elaborado com as castas brancas típicas da região: Rabigato, Viosinho, Gouveio, Arinto e Códega. São uvas indígenas que, combinadas, oferecem um perfil aromático e gustativo de grande personalidade. O Rabigato traz estrutura e mineralidade, o Viosinho contribui com notas florais e de frutas de caroço, o Gouveio adiciona corpo e untuosidade, enquanto Arinto e Códega conferem acidez vibrante e complexidade. As videiras são cultivadas em solos de xisto, em encostas íngremes plantadas em patamares ou no sistema ‘vinha ao alto’, um manejo que exige trabalho manual intenso e que resulta em uvas de altíssima qualidade
Na vinificação, as uvas são desengaçadas e prensadas suavemente, com o mosto decantado e separado das borras grossas antes da fermentação. Esta ocorre em tanques de aço inoxidável com temperatura controlada entre 16°C e 18°C por aproximadamente 20 dias, um processo que preserva ao máximo os aromas primários das uvas e a pureza do caráter frutado. Após a fermentação, o vinho estagia em aço inoxidável por cerca de cinco meses, sem passagem por madeira — uma decisão deliberada do enólogo Luís Sottomayor para manter a expressão mais límpida e direta do terroir. O vinho passa por colagem e filtração leve antes do engarrafamento, resultando em um branco cristalino, de cor amarelo-palha com reflexos esverdeados, que já anuncia sua juventude e frescor.
No plano sensorial, o Papa Figos Branco revela um nariz intenso e cativante, com notas predominantes de frutas brancas como pêra e maçã verde, acompanhadas por toques tropicais sutis de abacaxi e maracujá, além de nuances cítricas de limão-siciliano e florais delicados que lembram flor de laranjeira. Há também uma veia mineral característica, quase calcária, que percorre o aroma e confere elegância. Em boca, o vinho é seco, de corpo médio, com acidez viva e bem integrada que sustenta uma textura fresca e suculenta. O paladar repete as frutas brancas e cítricas, com destaque para a pêra fresca, e o final é longo, limpo e equilibrado, com um toque levemente salino que convida ao próximo gole. A ausência de madeira mantém o perfil franco e direto, ideal para quem aprecia brancos crocantes e gastronômicos.
Para harmonização, o Papa Figos Branco é um parceiro versátil na cozinha do dia a dia e também em ocasiões especiais. Sua acidez refrescante e perfil frutado combinam perfeitamente com peixes grelhados — como robalo, dourada ou salmão ao natural —, frutos do mar em geral (camarões, lulas grelhadas, ceviche leve), saladas frescas com molhos cítricos, queijos de cabra frescos e massas com molhos leves à base de azeite e ervas. É também uma excelente escolha para acompanhar pratos da cozinha mediterrânea e asiática leve, como sushi ou sashimi. Deve ser servido entre 6°C e 8°C, e embora seja um vinho para ser apreciado jovem — idealmente nos primeiros 2 a 3 anos após a safra —, sua acidez e equilíbrio permitem que evolua positivamente por até 5 anos quando bem armazenado. Um vinho que demonstra, com simplicidade e verdade, porque o Douro branco merece um lugar de destaque na mesa dos apreciadores.
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