O DV Catena Tinto Histórico é uma homenagem viva a Domingo Vicente Catena, patriarca da família Catena Zapata e lendário mestre de assemblage que encantava os restaurantes de Buenos Aires no início do século XX. Este tinto argentino representa a continuidade de uma tradição familiar que transformou a Malbec em um dos vinhos mais emblemáticos do Novo Mundo, combinando três castas cuidadosamente selecionadas em um blend que busca recriar o estilo clássico e generoso que consagrou o fundador. Sob a batuta da enóloga Laura Catena e do winemaker Alejandro Vigil e expressa o melhor que a altitude dos vinhedos da família pode oferecer: frescor, concentração e elegância em equilíbrio perfeito.
As uvas que compõem este blend excepcional — 77% Malbec, 20% Bonarda e 3% Petit Verdot — provêm de quatro vinhedos distintos situados em diferentes altitudes e solos da região de Mendoza. As parcelas de Lunlunta (920 m) oferecem solo franco-argiloso de origem aluvial, enquanto Gualtallary (1.450 m) contribui com cascalho e calcário típicos do Vale do Uco. Eugenio Bustos (1.090 m) traz camadas calcárias espessas, e El Mirador (750 m) aporta textura siltosa de origem eólica e aluvial. Esta diversidade de terroirs confere ao vinho camadas de complexidade que poucos blends argentinos conseguem atingir, unindo a generosidade tânica de Luján de Cuyo à acidez vibrante e fruta fresca do Uco Valley.
A vinificação é conduzida com rigor artesanal: as uvas passam por maceração a frio de 2 a 7 dias a 8,8°C para extração delicada de aromas primários, seguidas de fermentação espontânea com leveduras selvagens por 10 a 20 dias, com maceração pós-fermentativa de 4 a 12 dias. Cada lote é vinificado separadamente, permitindo que cada vinhedo expresse sua identidade única. O estágio ocorre em barricas de carvalho francês de primeiro, segundo e terceiro usos por um período que varia de 8 a 14 meses, o que confere estrutura sem mascarar a fruta — um equilíbrio que é marca registrada da casa. O teor alcoólico de 13,4% revela um vinho de corpo médio, maduro sem excessos, com acidez total de 5,6 e pH de 3,7.
Na taça, o DV Catena Tinto Histórico 2022 apresenta coloração rubi profunda com reflexos granada. No nariz, é generoso e complexo: frutas negras maduras como amora e cassis se entrelaçam com notas de ameixa fresca, cereja ao licor, toques florais de violeta e um delicado fundo de especiarias doces, cacau em pó e baunilha provenientes do estágio em carvalho. Em boca, o ataque é suculento e vibrante, com taninos finos e bem integrados — aquela textura aveludada típica dos grandes Malbecs de altitude — e uma acidez refrescante que confere equilíbrio e persistência. O final é longo, limpo e saboroso, com retorno das frutas escuras e um toque sutil de ervas frescas e tabaco. É um vinho que bebe muito bem agora, mas que recompensará quem tiver paciência de guardá-lo por alguns anos.
Na harmonização, este é um vinho feito para acompanhar a cozinha argentina em sua essência: um bife de chorizo ou um bife de lomo com chimichurri fresco são o par ideal. Também dialoga maravilhosamente com cordeiro assado com ervas finas, matambre recheado, costelas bovinas ao ponto ou mesmo massas com ragu de carne. Queijos de média cura como Gruyère ou Gouda maturado também funcionam bem. É a escolha perfeita para um jantar com amigos que valorizam um tinto de personalidade, história e excelente relação qualidade-preço — um verdadeiro pedaço da história vitivinícola argentina em cada gole.
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