
Perfil de sabor
★★★★☆ 3,5/5
| Frutado | ■■■■□ |
| Taninos | ■□□□□ |
| Acidez | ■■■■□ |
| Madeira | ■□□□□ |
| Doçura | ■□□□□ |
Alandra Branco
O Alandra Branco, produzido pela renomada Herdade do Esporão no Alentejo, é um dos brancos portugueses mais bem-sucedidos quando se busca frescor, equilíbrio e relação qualidade-preço imbatível.
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O Alandra Branco, produzido pela renomada Herdade do Esporão no Alentejo, é um dos brancos portugueses mais bem-sucedidos quando se busca frescor, equilíbrio e relação qualidade-preço imbatível. Este vinho representa a expressão mais acessível e despretensiosa do vasto conhecimento enológico de David Baverstock e Sandra Alves, que há décadas lideram a produção de uma das maiores e mais respeitadas vinícolas de Portugal. O Alandra Branco não é um vinho de guarda ou de grandes complexidades — ele é, deliberadamente, um vinho para o dia a dia, feito para ser consumido jovem, gelado e em boa companhia, sem cerimônias. A proposta é clara: capturar a essência frutada e floral do Alentejo em uma garrafa que entrega prazer imediato e refrescância, sem perder a identidade regional.
O vinho nasce de um blend cuidadoso de três castas brancas típicas do sul de Portugal: Antão Vaz, Perrum e Arinto (também conhecida localmente como Arinto de Bucelas). A Antão Vaz, casta rainha do Alentejo, aporta corpo, estrutura e notas de frutas tropicais maduras (manga, pêssego) e um toque cítrico de flor de laranjeira. A Perrum, uva menos conhecida mas tradicional na região, contribui com acidez vibrante e um perfil herbal sutil. Já a Arinto, famosa por sua alta acidez natural e resistência ao calor, adiciona o frescor cortante e as notas de lima e maçã verde que equilibram o conjunto. Essa combinação, com uvas provenientes de vinhedos selecionados em todo o Alentejo e até de outras regiões, garante consistência ano após ano — uma característica essencial para um vinho de entrada. A região do Alentejo, com seu clima mediterrâneo quente e seco (verões longos e invernos amenos), e solos variados que vão de xisto a granito e argila, proporciona às uvas uma maturação plena, resultando em vinhos brancos que aliam intensidade aromática a boa estrutura.
A vinificação do Alandra Branco segue um princípio de pureza e minimalismo tecnológico: as uvas são colhidas mecanicamente durante a noite para preservar a frescura, imediatamente resfriadas e prensadas delicadamente. Após a decantação a frio do mosto (para eliminar sólidos grosseiros), a fermentação alcoólica ocorre em cubas de aço inoxidável com temperatura controlada (entre 14°C e 16°C) por aproximadamente 15 dias. Esse processo lento e frio é fundamental para extrair e preservar os ésteres frutados e florais sem desenvolver fenóis amargos. Não há passagem por madeira — o objetivo aqui é a transparência frutada, não a complexidade terciária. Após a fermentação, o vinho descansa sobre as borras finas por alguns meses em tanques de aço, com batônnage (remontagem das borras) periódica para ganhar um leve cremosidade de textura sem adicionar oxidação. Esse método confere ao Alandra Branco um paladar redondo e untuoso, apesar da acidez elevada, tornando-o muito mais agradável ao paladar do que o corte rústico de muitos brancos alentejanos do passado.
Na taça, o Alandra Branco se apresenta com uma cor amarelo-palha límpida com reflexos esverdeados, típica de vinhos brancos jovens e bem trabalhados. No nariz, é exuberante sem ser exagerado: notas de polpa de maracujá, carambola, pêssego branco e flores de laranjeira se entrelaçam com um fundo herbal sutil (erva-cidreira, capim-limão) que lembra o caráter da casta Arinto. Na boca, o ataque é fresco e suculento, com acidez média-alta vibrante que corta a gordura e desperta o paladar. O corpo é médio, com textura levemente cremosa graças ao contato com as borras, e o álcool na faixa dos 12,5% se integra perfeitamente, sem aquecer. Os sabores repetem o perfil aromático, com destaque para citrinos (lima, toranja) e um toque mineral no final. O retrogosto é longo e refrescante, com acidez persistente que pede outro gole. Não há taninos (vinho branco sem madeira), e a doçura residual é baixa (seco), classificando-o como um branco fresco e gastronômico, ideal para dias quentes.
Para harmonização, o Alandra Branco é um parceiro versátil para a cozinha do mar e para pratos leves do dia a dia. Experimente com ceviche de peixe branco temperado com leite de tigre e coentro, camarões ao alho e óleo com pimenta-dedo-de-moça, ou uma salada de polvo grelhado com pimentões e cebola roxa. No forno, um linguado com molho de limão e alcaparras ou frango assado com ervas finas e legumes também funcionam muito bem. Para queijos, prefira opções frescas e de massa mole, como um queijo de cabra jovem ou um Serra da Estrela curado por 30 dias. O Alandra Branco deve ser servido entre 8°C e 10°C e consumido preferencialmente nos primeiros dois anos após a safra, quando sua fruta está no auge — não é um vinho para envelhecer, mas sim para aproveitar a juventude e a vitalidade do Alentejo em cada taça.
Herdade do Esporão
A Herdade do Esporão tem raízes que remontam a 1267, quando os seus limites foram fixados, sendo considerada uma das mais antigas propriedades demarcadas de Monsaraz, no coração do Alentejo. Em 1973 foi adquirida por José Roquette e Joaquim Bandeira, que iniciaram anos depois a produção de vinhos, tornando a propriedade um marco pioneiro na exportação de vinhos alentejanos. O seu restaurante foi reconhecido com Estrela Michelin e Estrela Michelin Verde, e José Roquette recebeu o ‘Prémio Homenagem’ da Revista de Vinhos. A propriedade preserva monumentos históricos como a Torre do Esporão e a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, unindo tradição secular e inovação vitivinícola.
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