
Perfil de sabor
★★★★★ 4,5/5
| Frutado | ■■■■□ |
| Taninos | ■■■■■ |
| Acidez | ■■■■□ |
| Madeira | ■■■□□ |
| Doçura | ■□□□□ |
Bouza Tannat
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O Bouza Tannat é um dos rótulos mais representativos da Bodega Bouza, vinícola familiar instalada em Las Violetas, nos arredores de Montevideo, que desde 2002 restaura o antigo casarão construído em 1942 sobre o modelo dos châteaux franceses. Este Tannat de safra jovem, mas de estrutura firme, traduz o estilo da casa: fruta madura, presença tânica marcante e uma elegância que contraria a fama histórica da uva mais rústica do sudoeste da França. É um tinto seco, encorpado e gastronômico, elaborado com filosofia de mínima intervenção para extrair o máximo de expressão do fruto — princípio declarado da vinícola, que trata a fruta com cuidado quase artesanal em todas as etapas do processo.
O Uruguai é a segunda pátria da Tannat, e o terroir de Montevideo explica por que a uva encontrou ali um caráter próprio. Os vinhedos da Bouza ficam em duas zonas tradicionais ao sul do país, muito próximas do oceano Atlântico: Melilla, com solos escuros, de textura média e levemente ácidos, e Las Violetas, sobre solos originados de rochas sedimentares e vulcânicas, com boa profundidade para o enraizamento e presença de carbonato de cálcio. O clima, de grande similaridade com Bordeaux, tem verões amenizados pela brisa marítima, que raramente ultrapassam os 34 °C, favorecendo maturação lenta e concentração aromática sem excesso de açúcar. Essa combinação de solo granítico, influência oceânica e amplitude térmica é o que confere ao Bouza Tannat sua tensão fresca, sua cor intensa e o potencial de guarda que o estilo pede.
Na vinificação, a Bouza conduz o Tannat com o cuidado necessário para domar a estrutura fenólica natural da uva: maceração que privilegia a extração de cor e aromas da película, fermentação em tanques de cimento e posterior passagem por barricas de carvalho francês, onde o vinho amadurece por período prolongado — característica que se percebe no fundo tostado e achocolatado que envolve a fruta. A filosofia da casa, que une conceitos tradicionais à tecnologia moderna de vinificação, resulta em taninos arredondados, nunca agressivos, e num conjunto que equilibra concentração, frescor e longevidade. Um Tannat de coloração alta, com lágrimas lentas que marcam o copo, e uma textura que preenche a boca sem perder a elegância.
No nariz, o Bouza Tannat mostra fruta negra bem madura — ameixa preta em geleia, figo, ameixa seca e cassis — sobre um fundo tostado que remete a chocolate e a um fumo sutil de carvalho. Em boca, a entrada é franca e agradável, com corpo encorpado, movimento ágil e taninos redondos e presentes, equilibrados por acidez viva que sustenta o conjunto. O final é longo e persistente, com lembrança de fruta escura e um leve toque mineral, herança dos solos graníticos da região. É um tinto de perfil clássico de Tannat uruguaia: potente, mas refinado, com aquele equilíbrio entre força e frescor que separa os grandes exemplares da uva dos que ficam pesados demais.
Na mesa, o Bouza Tannat pede companhia à altura: o asado uruguaio é a combinação natural, especialmente costela bovina assada lentamente, bife de chorizo e cordeiro grelhado no carvão, que respondem bem à estrutura tânica e à fruta madura. Também casa com ragu de carne de panela, cassoulet, embutidos curados e queijos de massa dura. Para quem gosta de guarda, o vinho tem estrutura para evoluir na garrafa por alguns anos, ganhando complexidade terciária; servido a 16-18 °C, é a escolha certa para um jantar de carnes ou para quem busca descobrir o que o Uruguai faz de melhor com sua uva emblemática.
Bodega Bouza
A Bodega Bouza é uma vinícola familiar uruguaia localizada em Melilla, próximo a Montevidéu, cuja propriedade original data de 1942 e foi transformada a partir de 2000 por Juan e Elisa Bouza, com vinhedos em Montevidéu, Canelones e Maldonado. Reconhecida internacionalmente, entrou no ranking The World’s Best Vineyards em 2019, 2020 e 2023 (30º lugar), além de figurar na lista de 2025. Seu rótulo icônico Monte Vide Eu foi eleito o melhor vinho tinto do ano pelo crítico Tim Atkin, que também nomeou o enólogo Eduardo Boido como enólogo do ano, e a vinícola recebeu medalha Platinum no Decanter World Wine Awards 2020.
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